Resenha crítica – filmes – Ferrugem e Ossos

Se você estiver procurando um filme sobre amores padrões pode ir desistindo desse. Quando me deparei com a sinopse fornecida pelo Netflix, me pareceu mais um filme sobre um casal pouco convencional. Mas não é nada disso. Este filme é acima de tudo, um retrato fiel da realidade da maioria dos casais que não se amam a primeira vista mas que com o tempo aprendem a se admirar. Ferrugem e Ossos é um longa independente que retrata a vida de duas pessoas com vidas bem diferentes que, por conta de uma tragédia, acabam entrelaçando seus caminhos.

De um lado temos Alain (Matthias Schoenaerts), um jovem lutador desempregado que se vê abandonado pela esposa, na qual o deixa sem nenhum recurso e com o filho de 05 anos para criar. Para fugir de um estado de necessidade que já o estava levando ao crime, Alain viaja para a casa de sua irmã, que ele não vê há quase 10 anos, em busca de novas oportunidades de trabalho. Com a ajuda de seu cunhado, ele consegue um emprego de guarda noturno de uma movimentada casa noturna de Nice e alguns dias da semana, descola um dinheiro como lutador de um clube de vale-tudo clandestino.

Certa noite, ao apartar uma briga dentro da casa noturna, ele conhece Stéphanie (Marion Cotillard), uma enigmática treinadora de orcas. Ele não entende como uma mulher como ela se mete em uma briga, em uma casa noturna de quinta. Mas diante do ocorrido, Alain resolve a deixar em casa e no caminho e deixa seu número de telefone com ela e diz, caso ela precise de qualquer coisa, ela poderia ligar.

Meses se passam e eles não voltam a se encontrar. Até que um dia, Stéphanie sofre um gravíssimo acidente e, se vendo impossibilitada de retomar sua antiga vida, resolve ligar para Alain, na busca de um alguém para conversar que não sinta pena dela.

O filme retrata acima de tudo a amizade e a cumplicidade que pode nascer diante de uma vida cercada de tragédias e dificuldades. Mostra que a força para vencer e ter uma vida melhor pode ser um combustível para um possível amor. Mostra também que um relacionamento não nasce necessariamente de uma atração física mas de um sentimento de companheirismo que não necessariamente tem razões ou explicações racionais.

De forma bem dura Ferrugem e Ossos é capaz de nos mostrar que recomeçar pode não ser fácil, em um primeiro momento, mas que querendo, todos são capazes. Além disso mostra o preconceito velado que existe contra as pessoas deficientes e como pior do que a incapacidade física é ter que lidar com o sentimento de pena alheio.

Baseado numa série de contos de Craig Davidson, Ferrugem e Osso traz uma história forte e marcante de um romance lapidado pela vida, cheio de contratempos e sentimentos abertos, entre duas pessoas infelizes que levam uma vida difícil onde a angústia e a esperança convivem lado a lado sem descanso.

ferrugem-e-osso

Anúncios

7 comentários em “Resenha crítica – filmes – Ferrugem e Ossos

  1. Meu Deus! Quanto tempo hein! Sumi da blogosfera por meses e to vendo que você se dedicou mais aos filmes agora. Esse aí eu não conheço, mas sua resenha me deu muita vontade de assistir. A maioria das pessoas idealiza o amor como paixão instantânea e não é isso, não sempre. Todo mundo diz “eu te amo” né? Mas a maioria não tem ideia do que realmente é, dão milhares de definições e receitas quando não tem nenhuma.
    Quero ver esse aí.
    Tava com saudades de você moça. Tudo bem por aí?
    Desculpa o sumiço, mas como eu expliquei lá, muita coisa aconteceu, vamos ver agora se eu me organizo.
    Mil beijos ❤

    1. Oiiiii! Quanto tempo MESMOOO! Semana passada estava conversando com a Eridan ( do blog Superar Para Não Pirar) e comentamos que você estava bem sumida… ficamos preocupadas… pensamos que poderia ser algo de saúde… ou simplemente muito trabalho ( que é meio que meu caso, rsrsrs, estou atualizando bem menos também).
      Pois é, mudei um pouco o foco, porque conhecidos estavam se “identificando” muito com os textos e estavam me criando certos problemas… ai foi me dando preguiça de ligar com isso hahaha. Falar sobre filmes é mais light e de certa forma me obriga a deixar os afazeres de lado e tirar uns momentos de relax….
      Mas estou muito feliz de você estar de volta! Eba!!!
      Beijos

      1. Ah a Eridan! Estou devendo a ela uma visita, gosto demais dela. Estou indo aos poucos e, como disse, sem tempo e sem inspiração. Mas nunca esqueço de vocês. Essa coisa de se identificar faz parte, os assuntos que você abordava tão bem, acabam criando esse laço com quem lê, mas é complicado quando acham que é algum tipo de recado. As vezes até é, mas se a carapuça serve, meditar sobre o assunto faz mais bem do que reclamar. Dá preguiça mesmo rsrsrs muito barulho pra pouca gente. Está ótimo, como sempre. Ainda dá pra mandar recados se quiser, só que de forma bem mais sutil. 😉 hahahaha
        Aos pouquinhos e querendo mudar a cara do blog, mas minha criatividade não tem ajudado muito. Eridam é que vai gostar. 😀
        Feliz em falar com você e ver as mudanças. Ainda acho que pode postar uns checklists por aqui. 😉
        Beijooo ❤ 😀

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s