Paixão perigosa: amando além do aceitável

Dia desses estava lendo sobre o forte sentimento maternal que a maioria das mulheres possui e que por muitos é considerado quase que uma característica do gênero: o querer cuidar do outro. Um sentimento que ultrapassa a barreira do cuidado com os filhos e chega aos seus companheiros, amigos, familiares e a todos que convivem com ela. É impressionante a capacidade que muitas mulheres possuem de se preocupar com o próximo e de assim perdoar situações inimagináveis por conseguir ver através do julgamento da maioria e “enxergar” uma possível justificativa para aquele comportamento condenável por todos os demais. Querem um exemplo?! Vocês sabem quem é o recordista nacional no recebimento de cartas de amor nos presídios brasileiros?! Nada mais, nada menos que o senhor Francisco de Assis Pereira, que ficou conhecido em 1998 como o maníaco do parque, um serial killer brasileiro que estuprou e matou pelo menos seis mulheres e tentou assassinar outras nove. Pois é, um serial killer é o recordista de cartas de amor, em que mulheres de todas as partes do país mandam declarações na espera de ter um amor correspondido. Parece loucura, mas muitas delas acreditam que todos os crimes bárbaros que ele cometeu foram motivados por falta de amor e compreensão. E este não é um julgamento feito exclusivamente por leigas, tanto é que atualmente, o Sr. Maníaco do Parque está casado com a psicóloga carcerária que acompanhou o seu processo desde o início.

O sentimento de perdão e proteção natural das mulheres é algo que foge totalmente do meu poder de entendimento e argumentação. Após ler essa matéria sobre as cartas de amor que chegam aos presídios, resolvi pesquisar mais sobre o assunto e vi que existem vários estudos comportamentais, não apenas no Brasil, mas em outros paises da América, de um situação não tão incomum assim.

Para a psiquiatra Beth Valentim, mulheres que se envolvem com criminosos são aquelas que “não têm suas emoções estabilizadas, que precisam também viver no risco, nos desafios, para se sentirem viva, o que de fato elas não conseguem sozinhas. O bandido é atraente porque dá as ordens, cria estratégias, fala duramente com sua trupe e carinhosamente com quem precisa dele na comunidade. É aquele que atravessa o fio que liga a fantasia à realidade, que domina o que quer, a qualquer preço“, descreve.

A psicóloga e psicoterapeuta Olga Tessari vai mais além e afirma que esses casos são a essência da filosofia popular de que o amor é cego. Segundo ela, “a falta de auto-estima também influencia esse tipo de escolha. Grande parte dessas mulheres se acha menosprezada pelos pais e amigos, enquanto outra parte realmente sofreu rejeição ou violência dentro de casa.”

Longe de mim a condenação daquelas mulheres que acham normal esse tipo de relacionamento. Como disse acima, talvez elas sejam capazes de ver algo muito além do meu limitado poder de racionalizar as coisas. Mas creio que, muito desse sentimento de cuidado vem da vontade da maioria das mulheres de sempre querer transformar o mundo ao seu redor em um lugar melhor e mais bonito de se viver, mesmo que para isso, comprometa a sua própria vida.

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