O exercício do perdão – reconhecendo e curando as mágoas diariamente para ser livre

O texto de hoje faz parte do artigo da Dra Juliana Garcia, que é master coach, psicodramatista, palestrante, escritora e facilitadora visual e colunista do site Personare. Para quem deseja ler a matéria da integra, basta clicar aqui.

Ele aborda como nos apegamos ao orgulho e evitamos nos permitir perdoar o outro como se essa atitude fosse um escuto imbatível que nos evitasse sofrer novamente. E mostra como o ato de perdoar não é natural e sim fruto de um exercício diário que nada tem de automático.


A cada dia que vivo e aprendo com a vida, mais se reforça para mim a constatação de que o perdão vai bem além de uma atitude localizada e isolada, de que ele se aproxima de um exercício. É um conjunto de atitudes que vamos tomando e reavaliando, construindo novas interpretações da vida, descobrindo e escolhendo novos ângulos. O perdão integra uma série de ações internas e externas e precisa de tempo para se assentar.

As mágoas nos prendem ao passado e nos fazem temer o futuro, retiram o poder do presente e a abertura a vivê-lo. Ocupam lugar no nosso coração fechado, tornando difícil que outras emoções, outras histórias, outras experiências de vida possam florescer. Um coração cheio assim é um coração que se aproxima da realidade só pela metade. Então vamos ficando amargos, não só pelas vivências de mágoa, mas também pelo fechamento criado que faz com que nossa vida afetiva murche, e junto com ela nosso viço, nossa alegria, nossa disposição, nosso impulso criativo.

Muitas pessoas relutam em pensar em perdão por acreditarem que isso significaria abrir guarda a pessoas e situações que lhe fariam sofrer. Seguem vida a fora carregando suas histórias de sofrimento como se fossem escudos: “Agora ninguém me fará mal novamente, eu tenho essa história para me proteger”. Só que esse escudo é pesado demais, grande demais e impede a visão plena, parece ser um grande espelho atrás do qual a pessoa se esconde e só vê os reflexos de si mesma com sombras do passado. Esse escudo não só protege de situações ameaçadoras, ele acaba por impedir qualquer tipo de contato e nos isola de nossa natureza humana relacional.

“Mas se eu não guardar minha história de dor, ela não será reconhecida, como se um pedaço meu fosse deixado de lado”, algumas pessoas podem dizer. Sim, é importante reconhecermos cada pedaço de nós, mas não precisamos carregar as dores como se fossem troféus pesados numa sacola enorme. Precisamos reconhecer nossas cicatrizes como marcas do combate, mas sem peso e dor.Precisamos reconhecer nossas cicatrizes como marcas do combate, mas sem peso e dor.

Certa vez ouvi uma frase que clareou bastante para mim o significado mais profundo do perdão: “O verdadeiro perdão consiste em abrir mão da esperança de que o passado fosse diferente”. Então, não é escancarar a porta da minha casa e da minha vida para quem me fez mal? Nem esquecer o passado? Pois é, o perdão que abre o coração é aquele que reconhece que o passado passou e que nada pode mudá-lo. Somente o presente bem vivido pode inserir novas pegadas nessa estrada. Perdão inclui ainda a necessidade de reconhecermos que nós também fizemos o que podia ser feito, o que demos conta de fazer, dentro das possibilidades que vislumbrávamos: autoperdão. Nos reconhecermos humanos, passíveis de erro e de acertos na tentativa do aprendizado.

Não se trata de varrer a poeira para debaixo do tapete. É na verdade um exercício de ver e sentir tal poeira do passado, identificar de onde vem e onde está. E, então, começar a limpá-la, se necessário buscar ajuda para isso, usar todos os recursos disponíveis para deixar a casa limpa e aberta para a brisa fresca dos novos tempos. Um coração que se abre para reconhecer e tratar de suas mágoas é um coração livre para bater de novo, no ritmo das emoções que surgirem aqui e agora.

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3 comentários em “O exercício do perdão – reconhecendo e curando as mágoas diariamente para ser livre

  1. Vixx que esse negócio de perdoar é difícil! Mas falou várias verdades e outras que nunca havia pensado. Realmente costumamos acreditar que perdoar é algo que se faz ou não, como se fosse em um estalo. Que bom que é um processo! Se fosse rápido assim, provavelmente não seria perdão verdadeiro. Acho que todos tem uma história complicada na vida, mas nem sempre a carregamos como escudo, algumas vezes é apenas a lembrança do buraco no qual não queremos mais entrar. O perdão, pra mim, é como o amor, só dá pra saber se é ele, quando se sente no coração, tão difícil de encontrar quanto. Eu procuro, depois de um tempo muito necessário, pegar o que se passou e tirar o que vale a pena, tento transformar. O tal de um limão, fazer uma limonada, mais ou menos por aí. Mas não vou dizer que sou muito boa nisso não, digo apenas que sou aplicada. rsrsrs A parte mais difícil, acredito, que é descobrir de onde vem a magoa realmente. Nem sempre é do fato principal, muitas vezes é de pequenas coisas que não nos damos conta na hora, ou até damos e ignoramos,mas que juntando… Essa poeira disseminada em pequenos pedaços é que é mais trabalhosa de limpar, pois é mais difícil identificar a origem exata, acho que é onde entra o “se perdoar”. Quando percebemos que foram várias coisas pequenas, percebemos, mais fácil, que fomos nós que permitimos que acontecessem. Aí é que complica mesmo, por outro lado…é o caminho das pedras. Adorei o post e também leio sempre o Pesonare. A cartinha do dia é tudo de bom.rsrsrs Beijooo 😉

    1. Eu sou apaixonada pelo Personare! Acho o conteúdo deles maravilhoso e super bem embasado! Minha mãe adora a ferramenta ” Tarot do Dia” rsrsrsrs.
      Adorei suas considerações. É bem por ai mesmo… as pessoas acham que existe um botão interno que se ativa, tanto para a prática do perdão, como do amor , e não é bem por ai não rsrsrs. não acho que seja um sentimento natural do ser humano e sim um eterno aprendizado!

      1. É, não havia olhado por esse prisma de não ser natural…verdade, eu acho. Se fosse natural, seria mais fácil ou ao menos daria menos trabalho. rsrs E vamos aprendendo sempre. Não é uma lição que queremos muito ter que aprender, mas não tem jeito né? Bjoo

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