Relatos de um sábado a noite: um pseudo-romance no ar

Sábado foi dia de samba, pagode e feijoada. Não podemos dizer que foi um samba típico, mas era o que tínhamos de mais próximo de um programa carioca em terras brasilienses. Era em um bar na zona abastada da cidade, fechado, com o ar-condicionado na medida certa, que nos permitia dançar sem escorrer nenhuma gota de suor. Os abastadinhos da cidade circulavam com seus ray-bans originais, suas bermudas e sainhas de marcas luxuosas, comprados em suas últimas ida a Miami e poucos casais arriscavam um belo samba de gafieira a dois. Mas mais do que o ambiente, o que nos chamou a atenção foi um casal. Ficamos a tarde toda fazendo apostas e previsões se ali rolaria algo ou não.

Ela era deslumbrante. Alta, ruiva natural, com um vestido na medida certa, justinho em cima e rodadinho embaixo. Uma lady. Ele era um “engomadinho” vestido de malandro, com roupas claras e um chapéu branco com uma fita preta ao redor. Não era bonito, mas era notável o seu estilo e sua ginga. No começo ninguém achava que ele tinha a menor chance. Mas como percebemos que ela começou a rir e a conversar com bastante entusiasmo, o pseudo-malandro começou a ganhar nosso coração. De repente, toda a nossa mesa estava acompanhando a prospecção do sujeito e torcendo muito para que a ruivinha desse chances a ele. Ali poderia estar nascendo uma bela relação. Já conseguíamos ver os dois, daqui um ano, voltando ao mesmo lugar para comemorar um ano de namoro.

Ele a tirou para dançar e pensamos “agora vai”. Rodaram no salão ao som de Raça Negra, Só Para Contrariar e até Harmonia do Samba. Mas beijo que era bom, nada! Um dos nossos observadores, apostou que, ele estava fazendo a linha difícil para que ela chegasse nele. Mas ela não fazia esse tipo. Ela era linda demais para isso. E os dois seguiram noite a dentro conversando. Até que, ele resolveu pegar uma bebida. Ela ficou observando, esperando ele voltar e nisso, o nosso pseudo-malandro, encontrou uma “conhecida” e pasmem, deu a bebida a ela, a essa completa estranha do nosso sonho de conspiração do romance perfeito. Ele ficou uns 40 minutos conversando com essa alheia e esqueceu a heroina ruivinha do nosso romance.

Como disse, ela era estonteante e não demorou para outro futuro príncipe se aproximar e engatar uma boa conversa. Quando nosso pseudo-malandro voltou, já era tarde. Ela já estava em outra, conversando animadamente com outro cara, que era bem menos interessante que ele. Nesse momento, percebemos que, nem sempre dá certo a estratégia de menosprezar uma linda mulher, esperando que ela venha atrás de você ( muitos homens acreditam que para conquistar uma mulher impossível você deve despreza-la, porque ela não está acostumada com rejeição e assim virá atrás tirar satisfações).

Ele ficou notadamente sem chão ao vê-la com outro. Uma prospecção de uma tarde inteira, foi por água abaixo após uma pseudo-ceninha de ciumes. Assim como nós, a ruivinha deve ter percebido que, quase todos os adjetivos do nosso malandro sedutor tinham sempre o prefixo psedo. E ela se cansou de toda a encenação e resolveu partir para alguém que, apesar de não ser tão provido de beleza, estava ali, ao lado dela, e não pagando bebida para uma alheia qualquer.

Fonte da Imagem: Fotografia de Murad Osmann, com o titulo original “Follow Me On”.

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