O amor na era digital

Tenho quase 30 anos e digamos que, fazem quase dez anos que estou efetivamente do mercado. Sou da época em que amigos trocavam SMS com desenhos engraçados feitos com a união de todos os pontos e acentos presentes no teclado. O que tínhamos de mais ousado eram os emails ( que substituíram as cartas de amor) e o orkut, em que os “testemunhos não aceitos”, eram verdadeiros substitutos dos bilhetinhos trocados durante as aulas do colégio. A paquera e os convites eram realizados ali, naquele site de telinha azul em que era possível saber quem acessava ou não o seu perfil.

Sai do mercado, ainda no começo do facebook, em que para ter acesso um amigo tinha que lhe convidar. Quando você começava a ficar com algum carinha, a ligação durante a semana era o auge do flerte. E dou graças a deus por ter parado nessa época. Não sei se estaria preparada para manipular os aplicativos de paquera, em que por foto você julga se quer ou não conhecer um futuro prospect. Também acho que não estaria preparada ( e até mesmo disposta)  para levantar toda a ficha do prospect através das hashtags do Instagram e assim, saber cada passo do individuo. Tenho uma preguiça enorme de tudo isso. Acho o Whatzup uma grande invenção, principalmente quando você tem amigos que moram longe e com apenas umas mensagens, é possível mandar fotos e áudio ao toque da tela. Mas até isso, conseguiu perder a graça, com os grupos de milhares de conhecidos que só servem para compartilhar sacanagem ou falar mal da vida alheia. Essa interatividade toda me entendia e me enfurece de uma maneira, que, se eu pudesse, desinstalaria tudo e ia viver minha vida tranquila.

Penso o quão deve ser complicado você conhecer, fletar e conquistar alguém. Não que antigamente fosse fácil, mas acho que a realidade é menos fácil de ser manipulada do que a virtualidade. Hoje é tudo tão medido, tão calculado que, as vezes acho que todas as mulheres estão iguais, assim como os homens. E assim, não há novidade e todos vivem em um completo tédio, agindo sempre da mesma forma, mas querendo sempre algo diferente. Acho que por isso que hoje o amor está tão banalizado… mais importante que amar, as pessoas querem é serem amadas, como se fosse possível uma via de mão única. Esquecem que compartilhar é vivenciar bons momento com todos e não ficar exibindo o seu egocentrismo para todos. Tenho medo dessas novas relações que estão nascendo, em que tudo está na rede para ver, ser visto e ser julgado. É triste quando um casal termina e a lavação de roupa suja é para todos lerem e participarem, esquecendo-se totalmente dos bons momentos que um dia viveram.

Espero que, no dia em que eu tiver filhos e os for contar sobre o que é se relacionar, toda essa exposição de futilidades façam parte de um capitulo esquecido da era tecnológica e que as pessoas já tenha entendido o verdadeiro sentido da expressão “compartilhar a vida”. Que as tecnologias de comunicação alcancem seus objetivos primordiais de diminuir as distâncias e conectar mais ainda as pessoas, mas que, acima de tudo, que a palavra amor volte a ter o significado que tinha na época dos meus pais, que inspiraram tantas belas canções e que uniram tantas almas afins.

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